sexta-feira, 6 de março de 2009

Uma mulher especialíssima!


Aracy Guimarães Rosa poderia ser lembrada apenas pela epígrafe do livro Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa: "A Aracy, minha mulher, Ara, pertence este livro." Mas há motivos de sobra para lembrarmos dessa senhora, ainda que ela não tivesse sido casada com um dos maiores escritores brasileiros.

Dona Aracy, como é chamada, salvou judeus na Alemanha nazista e ainda escondeu perseguidos políticos na ditadura militar brasileira. Em Hamburgo, no final da década de 30, como funcionária do consulado brasileiro, ajudou refugiados judeus a sairem da Alemanha, conseguindo vistos para centenas de pessoas, apesar da lei que proibia a entrada de imigrantes judeus no Brasil. Por isso, ganhou homenagens nos Museus do Holocausto de Jerusalém e de Washington e é conhecida pela comunidade judaica de São Paulo como o “Anjo de Hamburgo”.

“Como ela despachava outras coisas com o cônsul geral, no meio dos papéis enfiava os vistos. Muitos judeus vinham de outras cidades; mas para que os seus passaportes pudessem ser processados em Hamburgo, tinham que provar que moravam na região. Ela conseguia os atestados, e quando entravam com os papéis, já tinham esta dificuldade resolvida”, conta seu filho Eduardo Tess, hoje advogado em São Paulo.

Aracy de Carvalho Guimarães Rosa é a única mulher citada no Museu do Holocausto de Jerusalém como um dos 18 diplomatas que ajudaram a salvar vidas de judeus. Foi homenageada também com o nome de um bosque do Keren Kayemet nas cercanias da cidade sagrada. Ela mesma inaugurou a placa comemorativa com um discurso, em 1985, quando fez sua última viagem internacional.

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